Professores em Belém relatam desafios para manter aulas a distância


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A criatividade e disposição de educadores vem tentando adaptar aulas ao digital, apesar do débil acesso à internet no Brasil

Já são quase sete meses desde a suspensão das aulas presenciais nas instituições de ensino da capital paraense. Anunciada a partir do dia 17 de março de 2020, a medida foi tomada para evitar a proliferação da covid-19, que, em todo o Pará, já atingiu 240.223 pessoas e vitimou outras 6.670, segundo dados do Estado desta quinta-feira, 15.

O setor da educação foi um dos mais afetados. No entanto, contou com a criatividade e disposição de educadores, que adaptaram aulas ao digital, apesar do débil acesso à internet no Brasil. De acordo com o Comitê Gestor da Internet, mais de um terço dos lares brasileiros estão desconectados, o que representa cerca de 27 milhões de residências offlines.

O ensino precisou seguir e permitiu que, para além dos percalços, professores recebessem o seu “Feliz dia dos professores” neste 15 de outubro. Ou, nas palavras da jornalista e professora universitária há 22 anos, Ivana Oliveira, “Feliz dia do… ‘Está todo mundo me ouvindo?’”, referindo-se aos problemas de conexão das aulas on-line.

“Pensar nos meus alunos com problemas de acesso, se torna uma preocupação para mim. Estar, nesse momento, separados fisicamente, mesmo que próximos no digital, é desafiador; é ruim não ter os olhares, as caras de dúvida, a pergunta imediata. Mas, por outro lado, penso que conseguimos superar as dificuldades. Eu me emociono quando eles abrem a câmera, conversam, fazem alguma coisa”, conta a mestre.
Aldineia Souza, coordenadora de uma escola do Estado, diz que os professores ficaram cinco meses sem uma posição da Secretaria de Educação (Seduc) de como iriam ministrar aulas. Ela alerta que a pandemia não acabou, mas não esconde o sentimento de saudade de ver sua escola cheia. “O chão da escola só é vivo quando se tem gente”.

“Gente que ensina, gente que aprende, gente que abraça, que consola, que troca experiência, para fazer da sua vida e da vida do outro, um elo entre a esperança e a força de fazer acontecer. Termino com a fala do nosso querido mestre Paulo Freire: ‘Ninguém nasce professor. A gente se forma como educador permanentemente na prática e na reflexão sobre a prática’, completa.

Assistir aula de casa pode ser um convite à desatenção; desafio alavancado quando os alunos são crianças. Mas, para driblar isso, a professora da educação infantil municipal, Pâmela Vitorino, adotou estratégias como o uso de conteúdo multimídia e encenações. O trabalho é fruto de uma pesquisa dos educadores, que, como ela explica, tiveram que aprender a lidar com a modalidade de ensino digital.

“Mostramos mais uma vez que somos capazes de nos reinventar todos os dias. A pandemia nos colocou diante do desafio de ensinar à distância e, quando se fala em crianças pequenas, vindas de famílias que muitas vezes não tem acesso à internet, tudo se torna mais complicado. Tivemos que parar, pesquisar, planejar, pois nem os professores sabiam como lidar. Mas, com compromisso e dedicação, conseguimos atender nossas crianças”, diz a educadora.

Roma News


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