Prefeito sugere aplicação de ozônio retal para tratar covid-19


  • Nenhum comentário
  • Destaques

O prefeito Volnei Morastoni (MDB), de Itajaí, em Santa Catarina, sugeriu aplicação de ozônio no ânus dos pacientes diagnosticados com o novo coronavírus. O político, que é médico, já causou muita polêmica por defender métodos de tratamento fora do padrão adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Além da citromicina, além da cânfora, nós também vamos oferecer o ozônio. É uma aplicação simples, rápida, de dois ou três minutinhos por dia, provavelmente via retal, tranquilíssima, rapidíssima, em um cateter fininho, e isso dá um resultado excelente”, disse o prefeito em vídeo publicado nas redes sociais.

Em julho, o Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) solicitou à prefeitura de Itajaí explicações sobre a distribuição em massa de ivermectina à população da cidade. Morastoni também já defendeu o uso da cloroquina e a homeopatia como tratamentos para a doença.

No entanto, nenhuma das alternativas citadas são indicadas pela OMS ou por especialistas da saúde. De acordo com a OMS, ainda não há tratamento cientificamente comprovado que seja eficaz para combater o novo coronavírus.

Conselho de Medicina se manifesta sobre tratamento

O CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina) emitiu uma nota nesta terça-feira (4) para esclarecer que o tratamento com ozônio para a Covid-19 não tem eficácia comprovada e é proibido no Estado.

A sugestão do prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), de aplicar ozônio pelo ânus para pacientes que apresentem sintomas da Covid-19, teve grande repercussão inclusive internacional.

Na nota, o Conselho Regional de Medicina explica que todas as formas de tratamento precisam passar por validação da entidade antes de serem prescritas por médicos. O tratamento com ozônio, no entanto, já foi proibido em uma resolução emitia em 2018 pelo CFM (Conselho Federal de Medicina). Há exceção apenas em casos de estudos em caráter experimental, com base em protocolos e critérios específicos.

A entidade esclarece, ainda, que a medida “está longe” de ser uma unanimidade positiva, uma vez que os estudos ainda carecem de pesquisas e trabalhos científicos.

Confira a nota na íntegra:

“O CRM-SC esclarece que todas as formas de tratamento, não apenas relacionados a COVID-19, devem ser validados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O CFM emitiu Resolução (CFM 2181/2018) que proíbe aos médicos a prescrição de ozonioterapia dentro dos consultórios e hospitais.

A exceção pode acontecer em caso de participação dos pacientes em estudos de caráter experimental, com base em protocolos clínicos e critérios definidos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

A norma federal também deixa claro que o seu uso benéfico em tratamentos clínicos ainda está longe de ser uma unanimidade positiva, já que o volume de estudos e trabalhos científicos adequados sobre a prática ainda é incipiente e não oferece as certezas necessárias. Esse assunto exige mais pesquisa em busca de conhecimento sobre o tema.”

O que é a ozonioterapia retal, sugerida por prefeito para tratar Covid-19

A ozonioterapia é considerada uma forma alternativa para desinfetar e tratar feridas, problemas respiratórios e até HIV e cânceres, mas não tem comprovação científica.

A técnica mencionada por Volnei Morastoni (MDB) como tratamento para Covid-19 é conhecida como insuflação – uma terapia de risco onde o ozônio é soprado no reto do paciente por um cateter.

“Não vejo justificativa nem no uso da ozonioterapia para Covid-19 e, por vias retais, não vejo explicação alguma. Já vi várias coisas, mas não consegui achar utilidade. Onde será absorção, vai agir onde, como, qual a vantagem, qual o mecanismo que funciona? Faço medicina com a cabeça aberta, acho até que cabe um estudo clínico sobre essa técnica, mas por vias respiratórias”, afirma Elie Fiss, pneumologista do Laboratório Exame.

Atualmente, há a técnica de utilizar ozônio para matar microrganismos em uma aplicação de 30 minutos, usada em locais fechados e sem a presença de pessoas. O procedimento tem uma ação pontual e não garante uma higienização por um longo período. Apesar de permitir a limpeza de equipamentos eletrônicos, existe o risco de oxidação de peças metálicas e, por isso, deve ser um método feito com cuidado.

Com informações de Isto É, Metropoles e ND


Mais do Portal F5


  • Destaques

Luna: Amazon anuncia streeming de games concorrente da Stadia e xCloud

O mercado de videogames ganhou um novo competidor, e é um nome de peso. A...

  • Destaques

Polícia prende homem suspeito de traficar drogas em Dom Eliseu, sudeste do Pará

A Polícia Militar prendeu, na terça-feira (22), um homem suspeito de tráfico de drogas em...

  • Destaques

Franquia da Sega “Yakuza” vai ganhar adaptação para o cinema

Uma boa notícia para os fãs de Kazuma Kiryu de Yakuza, o game vai ganhar uma...