Servidora rebate Laranjeiras e desabafa sobre bastidores da saúde


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Áudio da servidora revelou os graves problemas dos bastidores da saúde em Parauapebas

Pelo visto, a cobrança feita por Gilberto Laranjeiras, titular da Secretaria de Saúde (Semsa), em um grupo de Whatsapp, não agradou uma servidora pública que está atuando diretamente na linha de frente contra a Covid-19. O gestor cobrou publicamente a gerente de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Parauapebas (HGP), sobre a demora na expansão dos leitos de cuidados intensivos e intencionalmente atribuiu a ela, a responsabilidade do oferecimento de alguns serviços à população.

Laranjeiras só não contava que a crítica seria duramente rebatida. Os registros ocorreram na quarta-feira, 20, mas só ganharam repercussão nesta sexta-feira, 22.

Tome providência imediatamente! É inaceitável esse tipo de conduta que está acontecendo na nossa ala de UTI. Nós temos técnicos de enfermagem de prontidão para trabalhar e eu preciso que a senhora tenha responsabilidade e coloque esse pessoal para trabalhar. Eu preciso internar mais pessoas na UTI, eu preciso salvar vidas, cobra o secretário em um trecho do áudio.

A servidora não ficou calada, rebateu a crítica e apontou vários problemas na UTI, como os respiradores que não funcionam adequadamente, fruto da falta de atenção da gestão da pasta da saúde às demandas do setor e outras falhas graves da Semsa.

Desde que começou a aparecer casos, nós temos conseguido fazer atendimento e não deixar os pacientes voltar, faltando praticamente tudo. Nós estamos aqui o tempo todo tentando resolver as coisas para prestar assistência à população. Não temos a Junta Médica que nos foi prometida, nem para onde encaminhar nossos profissionais adoentados, lamentou.

Ficamos só na promessa da reforma do Hospital Municipal com 40 leitos, não houve cumprimento da promessa. Porque aquele hospital ficou de ser entregue com 40 leitos, 40 respiradores, 40 monitores e as bombas de infusão necessárias para cada leito, mas o que colocaram lá foram camas, somente camas, continuou.

O desabafo da servidora, com um tom de voz de quem demonstrava estar esgotada e insatisfeita com a forte cobrança e pressão diante das péssimas condições de trabalho, mostra os bastidores do que os profissionais da saúde precisam suportar para continuar oferecendo atendimento à comunidade.

Desde a semana passada, a UTI passou a operar com 15 leitos, vocês sabem como? Aos trancos e barrancos. Estamos com monitores emprestados, em cima de cadeiras, porque não tem criados mudos. É irresponsabilidade minha? Não! Fiz vários pedidos de materiais e equipamentos, em 2019, agora em março fizemos novamente. Nada chegou! O que chegou para gente foram esses respiradores menores, que estão sendo de muito auxílio sim, é bem vindo. Mas os respiradores vieram sem os acessórios para que eles funcionassem. Eles vieram somente com uma traqueia, que não é esterilizável, se o paciente sair, não vamos ter outra para repor. Quem fez o pedido desse aparelho? Por que não nos foi consultado? Por que não fizeram o pedido completo?, questionou a enfermeira.

Não vou aceitar, senhor secretário, nem do senhor, nem de ninguém, ser chamada depois de tantos anos de profissão e de empenho. Todos que estão na ponta, estão trabalhando e muito, e se hoje esse covid tem atendimento é graças a essa equipe. Pedidos desde março de 2019, que se tivessem sido atendidos não estávamos passando por esse momento pesado, apontou ela.

A servidora também falou sobre as condições de trabalho que a equipe é submetida. Segundo os dados da própria prefeitura, 18% dos casos confirmados de covid-19 em Parauapebas, são de profissionais da saúde que foram contaminados.

A maioria dos nossos profissionais adoeceram, a maioria foi afastada. Funcionários fazendo mais de 300 horas para que o serviço não parasse. Damos assistência é de perto, dentro das enfermarias. Tive que desdobrar equipe para atender. Agora, cumpra com a parte de vocês! Nós precisamos de monitores, de respiradores, de traqueia. Agora vocês acham que podem expor o nome de uma pessoa dessa forma? Ora, façam-me o favor! Cumpram o papel de vocês! Não vou deixar que ninguém impute a mim essa responsabilidade pela falta de gestão de vocês, defendeu-se. Indignada com a falta de bom senso do secretário, a enfermeira colocou o próprio cargo a disposição e pediu demissão.

O áudio revelou também que o cenário da pandemia em Parauapebas está longe do controle e o que foi feito até agora, não tem sido tão eficiente, bem diferente da sensação transparecida pela propaganda da prefeitura.

Confira os áudios na íntegra aqui:


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