Fortes chuvas podem encarecer preço de alimentos no Pará


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São Paulo é um dos principais exportadores de vários tipos frutas, verduras e legumes ao Pará, a oferta de alguns desses produtos pode ficar comprometida

As chuvas que têm castigado os Estados da região Sudeste também geram consequências aos que moram no Pará. Como mais de 70% dos alimentos que os paraenses consomem vêm de fora e São Paulo é um dos principais exportadores de vários tipos frutas, verduras e legumes ao Pará, a oferta de alguns desses produtos pode ficar comprometida e a tendência é que os preços subam. Principal central de abastecimento do país, a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) é responsável por 9% do que entra na Central de Abastecimento do Pará (Ceasa/PA) e, nesta semana, descartou sete mil toneladas de alimentos, tendo prejuízo estimado de R$ 24 milhões, por conta das chuvas. Os produtos chegam na Ceasa do domingo e será possível verificar, de maneira mais clara, os efeitos que os eventos dos últimos dias provocaram no estado a partir da próxima semana.

“Vai impactar sim, mas só vamos sentir isso, quando tiver a coleta de preço, na segunda. Esses produtos estão vindo de lá ainda”, explica Ronaldo Costa, coordenador de abastecimento da Ceasa. Para ele, como a Ceagesp é responsável por cerca de 9% do abastecimento da Ceasa, o impacto, inicialmente, não seria tão grande. Por outro lado, Ronaldo Costa observa que a central paulista, por ser o maior centro de abastecimento do país, deve ser atendida logo pelos demais Estados e, somente depois, os produtos serão enviados para outras unidades, entre elas o Pará.

“No dia em que ocorreu o problema na Ceagesp, não tinha muito estoque, então teve um prejuízo menor. O nosso dia de pico é segunda a quinta. O dia que ocorreu era o dia em que eles estavam com baixo volume de estoque. Mas pela proporcionalidade dela, pelo que ela representa para o país, gera um impacto”, avalia. Segundo ele, de lá chegam produtos de grande consumo, como maça, pera, uva e batata.

Alta

Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) já revelava uma alta no preço da maioria das frutas comercializadas em feiras livres e supermercados da grande Belém, no mês de janeiro, em comparação a dezembro de 2019, com destaque a goiaba vermelha, que apresentou aumento de 8,05% no quilo, a banana prata (3,60%); maracujá (3,31%) e o abacaxi (2,81%). As hortaliças, verduras e legumes também tiveram reajustes expressivos no mês passado, em relação a dezembro de 2019, tendo destaque o repolho, que ficou 12,73%, seguido da cenoura (12,59%); batata doce branca (10,89%); beterraba (5,57%); abobora (4,66%) e batata (2,63%).

O técnico do Dieese/PA, Everson Costa, diz que ao longo dos anos, nas pesquisas que realiza, a entidade sempre identificou que no final e começo de cada ano, em função do período de entressafra e também de variações climáticas, o preço desses produtos para os paraenses fica bem mais caro. “Nós dependemos da Ceasa de São Paulo, da Bahia, e de outros estados do eixo centro sul”, observa. Este ano, os estudos realizados mantém essa tendência. Porém, o risco é de que o percentual de alta supere dos anos anteriores, em função das fortes chuvas que têm caído nos estados que abastecem o Pará e no próprio território paraense.

“Estamos sentindo também o impacto chuvoso, só que para nós, a conta vem duas vezes, porque a gente tem o impacto na nossa produção e na formação de preço daquilo que é importado para chegar em nossas mesas. A Ceasa de São Paulo, por exemplo, já sinalizou que não só naquela região, mas em outras partas, e gente pode ter não o desabastecimento, mas a falta ou poucos produtos a serem ofertados. Essa situação demonstra, no nosso entendimento, uma tendência de novas altas, pelo menos até o primeiro trimestre desse ano. Se as chuvas continuarem fortes, os estragos forem maiores, com certeza nós vamos sentir os efeitos, porque a gente importa muito desses produtos”, diz Everson.

Consumidores sentem

Feirantes e consumidores já sentem os reajustes dos últimos dias e agora devem se preparar para os impactos que as chuvas dessa semana devem trazer aos paraenses. “A mercadoria, não só a batata, como vários tipos, com esse problema que teve aí fora, nós fomos todos prejudicados. A batata, nós estávamos comprando a 90 reais e estamos comprando a 160, quer dizer, quase dobrou o preço. Mas não é só batata, o tomate, a cenoura, está tudo caro. Não está nada barato. O que a gente pode fazer é comprar, porque a gente trabalha com isso e não pode ficar sem”, reclama Francinete da Silva Soares, que trabalha no Ver-o-peso.

Allan Chagas de Souza, que trabalha na feira de São Brás, conta que os produtos já estão mais caros, principalmente maracujá e abacate. “Os que vem de lá, de fora, podem aumentar ainda mais”. Também trabalhando na feira de São Brás, João Maria Costa conta que o quilo da uva, por exemplo, que estava cinco reais, subiu para seis reais, esta semana. “Eu acho que pra semana que vem fica mais pesado ainda”.

O aposentado Evandro Araújo, de 61 anos, já sente o aumento nos preços e acredita que as últimas chuvas devem gerar consequências ainda maiores. “Afeta todo o país, porque vem tudo de lá pra cá”.

Oliberal


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