Instituto registra queda de queimadas e aumento de desmatamento em setembro


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Imagem área registrada em Itaituba, Pará, em 26 de setembro, por Ricardo Moraes da Reuters

A área sob alerta de desmatamento na floresta Amazônica segue em tendência de crescimento, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados de 1º a 19 de setembro deste ano – os mais recentes do sistema de monitoramento – mostram que 1.173,11 km² de floresta estavam com sinais de devastação, número 58,65% maior do que o registrado em todo o mês de setembro do ano passado, quando foram emitidos alertas para 739,4 km².

Os alertas também já são o dobro da média registrada em setembro de 2015 a 2018, que é de 582,6 km² – alta de 101,35%.No comparativo por trimestre, ainda que os dados de setembro não estejam fechados, a tendência de aumento se confirma.

Foram registrados 5.129,21 km² sob alerta de desmate de 1º de julho até 19 de setembro de 2019, enquanto em 2018 foram 1.862,5 km² no mesmo trimestre, com dados fechados até 31 de setembro. Mesmo sem os dados completos de setembro em 2019, a Os dados são do sistema Deter-B, do Inpe, que mede a área sob alerta para desmatamento. Esse número não é classificado pelo governo como taxa oficial de desmatamento, que é medida por outro sistema do Inpe, o Prodes.alta já é de 175,39%.

A taxa de desmatamento oficial, medida pelo Prodes, é divulgada anualmente e abrange o período de julho de um ano a agosto do ano seguinte. O período que se encerra em 2019 ainda não foi divulgado, mas nos últimos três anos, os alertas têm sido confirmados nas taxas oficiais de desmatamento.

A análise de dados comparativos por trimestre evita distorções sazonais que possam ser causadas por problemas na leitura dos satélites, como a presença de nuvens de chuva, por exemplo.

Exército na Amazônia

Registro das toras de madeira apreendidas em 2 de setembro, em Anapú, Pará – Nacho Doce/Reuters

O aumento foi registrado mesmo com a presença do Exército na Amazônia, que foi enviado pelo governo federal para combater as queimadas após decreto que instituiu missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

De acordo com Carlos Nobre, climatologista, membro da Academia Brasileira de Ciências e ex-pesquisador do Inpe, o desmatamento é mais difícil de ser combatido sem fiscalização e só é captado com imagens via satélite – diferente das queimadas, cujas fumaças podem ser percebidas a olho nu.

Um documento mostrou que o exército se recusou a acompanhar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em pelo menos três operações contra o garimpo ilegal (que também está ligado à devastação da floresta). Em duas ocasiões, a operação não pode ser feita sem a ajuda das forças armadas.

A justificativa é que as ações do Ibama poderiam “acarretar na destruição de bens”, que é autorizada pela legislação ambiental desde 1998, mas entrou em debate na gestão Bolsonaro. O presidente chegou a criticar a prática de atear fogo aos equipamentos. O ministro Ricardo Salles disse que iria editar a norma que autoriza a ação.

Segundo ambientalistas, a destruição do maquinário impede novos desmatamentos e facilita o combate ao crime, já que deslocar os equipamentos é caro, demorado, e coloca os agentes sob risco de emboscada.

G1


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