‘Birdwatching’ pode potencializar turismo em Parauapebas


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Parauapebas se apresenta pela primeira vez na  Avistar Brasil, feira nacional de turismo de observação de aves. O município é destaque com mais de 600 espécies de aves catalogadas, o equivalente a 1/3 dos pássaros registrados no Brasil.

A participação do município na Avistar Brasil trouxe destaque para Parauapebas como potencial destino para Observação de Aves

A meta é potencializar o destino, que já é rota internacional, para quem deseja praticar uma boa observação de aves, atividade conhecida por birdwatching.

O XIV Encontro Brasileiro de Observação de Aves começou nesta sexta-feira, 17, e segue até amanhã, 19, na CEPEUSP (portão 21 da cidade universitária da USP, em São Paulo), com uma programação diversificada para os amantes da natureza.

Na tarde da sexta-feira, 17, o condutor de turismo ecológico na região de Carajás e de observação de aves, Filho Manfredini, ministrou uma palestra com o tema: Aves de Carajás.

Durante a Avistar Brasil, Filho Manfredini, ministrou uma palestra com o tema: Aves de Carajás

“Carajás é importante para o observador por sua localização. Está em uma área de endemias muito grande – apresenta algumas espécies que só tem na região. Para o município é interessante a atividade turística, porque aquece a economia. A participação do município na Avistar fomenta o turismo e busca maior quantidade de visitantes, o que está funcionando, porque muita gente tem procurado o estande para conhecer mais sobre Parauapebas”, frisou.

“Não tem almoço grátis”

A Floresta Nacional de Carajás é um dos destinos mais importantes de observação de aves no Brasil

De acordo com o idealizador do evento, Guto Carvalho, a expectativa é receber de 5 a 7 mil visitantes durante o fim de semana. “É um orgulho pra gente ter este que é um dos destinos mais importantes de observação de aves no Brasil. Carajás possui uma lista enorme de espécies únicas e de grande beleza cênica e para fotografia”, ressaltou.Sobre os investimentos na área turística, Guto disse que “é importante romper com a barreira do curto prazo. Não tem almoço grátis. É preciso consolidar a marca e a presença junto aos mercados consumidores e isso acontece ao longo dos anos. Com uma presença tão bonita e um estande tão perfeito, Parauapebas já começa com o pé direito e a gente vê um futuro brilhante, a médio prazo, para essa iniciativa de valorizar o turismo”, avaliou.

Aproveitar o nicho

A organizadora da Avistar, Suzi Camargo, falou que o evento é uma oportunidade de engrandecer o circuito de observação de aves do município. “O turista sustenta a cidade. O munícipe pode gerar renda com atividade artesanal, criar lembrancinha da cidade de Parauapebas, as senhoras rendeiras podem fazer rendas em toalhas e guardanapos com as aves endêmicas. A cidade pode aproveitar esse nicho e gerar renda para a família. Uma possibilidade de tornar o município uma referência nesse campo de observação de aves”, sugeriu.

O coordenador de Uso Público do Núcleo de Gestão Integrada ICMBio Carajás, Marcel Regis, comentou que essa atividade já traz uma receita relevante para o município. “Quando o observador de aves vem pra Parauapebas ele se hospeda em um hotel, aluga um carro, abastece, faz suas compras nos supermercados locais, compra algum material como pilha, bateria, lanterna ou roupas, se alimenta e contrata um guia local”, explicou.

“A receita gerada por um observador de aves para a cooperativa é importante para a renda desses condutores. É algo que faz o dinheiro circular na cidade. Parauapebas, por ter uma imensa área verde, uma imensidão de Floresta no seu território, faz com que essa atividade tenha um grande potencial de atrativos de pessoas e consequentemente geração de renda”, destacou Marcel. Ele disse ainda que a prática recebe total incentivo do ICMBio.

Para o guia Gilberto, ‘o birdwatching pode ser realizado tanto na zona rural quanto na urbana de Parauapebas, mas Carajás é o local propício’

“Porque gera o mínimo de impacto na fauna e na flora. O observador de aves não tem interesse de caçar, matar a espécie, ou danificar a floresta. É uma atividade sustentável, de público consciente, defensor das causas ambientais e isso é muito positivo, porque exige dos condutores maior especialização, conhecimento e investimento em formação. É uma das atividades que alia geração de renda com proteção ambiental”, pontuou.

Histórico

A titular da Coordenação Especial de Uso Público Semma/ICMBio, Nivia Silva, conta que a observação de aves, há cerca de 30 anos, foi o pontapé para se pensar em utilização pública do Mosaico de Unidades de Conservação de Carajás, “com a criação do programa de Uso Público em 2006, por meio de uma parceria entre o ICMBio e a Prefeitura de Parauapebas, a observação de aves consolidou-se e tornou-se uma atividade em potencial”.

Atualmente, a atividade é realizada por condutores da Cooperativa de Ecoturismo de Carajás (COOPERTURE) com a autorização direta do setor de Uso Público do ICMbio. Os pacotes variados podem contemplar apenas a condução ou incluir traslado, hotel e alimentação. A customização do pacote, bem como local de visitação e quantidade de dias varia de acordo com a necessidade do cliente.

O birdwatching pode ser realizado tanto na zona rural quanto na urbana de Parauapebas. No entanto, o Mosaico de Unidades de Conservação de Carajás é o local propício. A maior parte dos clientes que a Cooperture atende para a prática de birdwatching vem de fora do país, e um dos objetivos da participação de Parauapebas na feira é atingir também o público do Brasil. “A Prefeitura de Parauapebas está de parabéns por investir nesse tipo de atividade”, disse o cooperado da Cooperture, Gilberto Vieira.

O coordenador do Departamento de Turismo de Parauapebas, Marcos Alexandre, falou sobre a importância de apresentar o município na Avistar Brasil 2019. “Dentro das rotas turísticas do município, existem alguns atrativos específicos como o de observação de aves. Parauapebas é referência internacional nessa prática. Estamos sendo muito elogiados pelos visitantes do estande. É mais um nicho de mercado que estaremos explorando e que com certeza trará bons frutos para a economia local. E é com esse objetivo que Parauapebas está aqui”, disse.

Texto: Raíssa Pajeú, fotos: Dácio Souza


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